Thursday, September 23, 2004

Com uma pequena anedota se caracteriza o Mundo.... Aqui vai ela:
" A ONU resolveu fazer uma grande pesquisa mundial. A perguntaera: "Por favor, diga honestamente, qual a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo."O resultado foi desastroso. Foi um total fracasso. Os europeus do norte não entenderam o que era "escassez". Os africanos não sabiam o que era "alimentos". Os espanhóis não sabiam o significado de "por favor". Os norte-americanos perguntaram o significado de "o resto do mundo". Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre "opinião". E o parlamento português ainda está a debater o que significa "diga honestamente". "
Verdade.... É ou não é ? Digam lá honestamente !

Saturday, September 18, 2004

Depois da habitual vistoria de mail's que neste momento tenho às centenas para ler, leio um que a Sófia me enviou sobre a amizade. Todo o texto que circulava pelo mail era digno de se ler, no entanto, e como em tudo, há sempre uma parcela que se destaca entre o resto. Aquela parte que nos desperta imediatamente a atenção, e que, se guarda como a mais importante.
" O verdadeiro amor não se reduz ao físico nem ao romântico. O verdadeiro amor é a aceitação de tudo o que o outro é, do que foi, do que será e... Do que já não é... "
E aqui está.. O problema é que hoje já ninguém tem a capacidade de olhar para outra pessoa sem lhe apontar os defeitos da vida passada, as suas imperfeições enquanto ser humano, e tudo o que de errado poderá ter ( ou não ! ) fisicamente.
Vale mais uma embalagem com estilo e na moda, vazia e podre, do que uma mais "modesta" mas mais decente e sincera.
Enfim, mais um desabafo da realidade em que vivemos, onde tudo é tão bonito de apregoar e supostamente tomar como objectivo, do que na realidade defender e impôr como premissa. Viva a era do plástico, e das plásticas, onde se corta, recorta e abre, tira e põe para um final plástico maravilhoso, mas sem um mínimo de sensibilidade. Bom senso... onde andas ?!
" Quando me batem à porta, pergunto QUEM É, nunca QUEM FOI ! " esse é o objectivo que tenho em mente, não o quero impôr, mas tenho-o como aquilo em que acredito, e espero acreditar.
Não espero mudanças numa sociedade que à partida já está perdida de uma forma onde dificilmente terá um retorno, e onde os supostos valores que "devemos" e "temos" de defender passam pelo dinheiro, aparências e futilidades. Viva o vazio, viva o ridículo, viva o "indiferente", pois só estes vencem neste fantástico Mundo em que estamos... Só resta saber... até quando vencem.

Saturday, September 11, 2004

Depois de já aqui no blog ter referido três personalidades de distintas áreas que admiro por inúmeros factores, sendo eles Monica Bellucci, Aristides Sousa Mendes e Catherine Hamlin, comecei em pensar em eleger a personalidade do ano. Aquela figura que na opinião das diversas pessoas, foi a que mais se destacou no último ano, quer seja por factores negativos, quer sejam eles positivos.
Sejam pessoas de que áreas forem, nacionalidades ou idades, mais ou menos conhecidas, gostava que participassem na personalidade do ano 2004, e para tal gostava que me enviassem as vossas propostas, devidamente justificadas, sejam essas justificações os grandes testamentos tal como eu gosto de ler, ou apenas um pequeno comentário sobre os motivos da pessoa que seleccionaram para paulojsperalta@yahoo.it
Cá fico à vossa espera :)
Disorder Rating

Paranoid: Low
Schizoid: Low
Schizotypal: Low
Antisocial: Moderate
Borderline: Low
Histrionic: High
Narcissistic: Moderate
Avoidant: Low
Dependent: Moderate
Obsessive-Compulsive: Moderate

URL of the test: http://www.4degreez.com/misc/personality_disorder_test.mv
URL for more info: http://www.4degreez.com/misc/disorder_information2.html

Aqui está o resultado da minha personalidade LOL por favor.... COMENTEM !!!!!


Let us all remember this tragic day. In the memory of the victims

Wednesday, September 08, 2004


A médica australiana Catherine Hamlin, deslocou-se para a Etiópia no final da décade de 50 do século passado. Nesse país africano dedicou a sua atenção e trabalho de uma vida às jovens etiopes que eram prometidas muito jovens ( entre os 10 e 12 anos de idade ) em casamento, a homens mais velhos. Estes, devido aos costumes das tribos a que pertenciam, desejavam constituir numerosas famílias, iniciando com elas uma vida sexual precoce.
Devido aos seus jovens corpos se encontrarem ainda em formação, o início da sua vida sexual ainda em crianças, provoca além da perda do seus filhos por terem corpos novos de mais para os procriar, uma chaga, chamada fístula, que consiste na ferida da bexiga, vagina e anus. esta ferida faz com que estas jovens percam o total controle sobre as suas fezes e urina, provocando que sejam ostracizadas e marginalizadas pelo seu marido, levando até ao seu abandono, bem como por parte da família e sociedade de uma forma geral. Não tendo meios para subsistir, muitos dedicam-se depois à mendicidade.
Catherine Hamlin bem como o seu marido, dedicaram-se à contrução do Fistula Hospital, onde têm vindo a desenvolver várias técnicas para restituir a essas mesmas jovens a sua dignidade, tendo em conta que isto lhes acontece antes dos 20 anos de idade, e permitindo assim uma vida digna para o seu futuro.
Dentro de uma área que vou passar a dedicar o meu blog, e na qual já destquei a presença de Monica Bellucci e Aristides Sousa Mendes, espero que, tenham curiosidade em saber mais sobre o notável trabalho de Catherine Hamlin, trabalho que a levou a ser indicada ao Prémio Nobel da Paz de 1999.

Tuesday, September 07, 2004

Hoje lembrei-me de duas situações distintas, mas que estão unidas entre si. Unidas pela dor, pela perda, e pelo sentimento de revolta que é impossível disfarçar. Não é uma revolta de raiva. Pode ser, e é, uma revolta por mudança. Uma revolta que pede uma justiça imparcial e que castigue quem quebra a ordem e a estabilidade. Uma justiça que consiga ser portadora de algo que hoje não temos; a Segurança. Segurança esta que se baseia naquilo que perdemos. O simples facto de fazermos a nossa vida diária, onde podemos entrar num estabelecimento, autocarro, escola ou centro comercial sem imaginar ou pensar e supôr que ele possa vir a explodir às mãos de magalómanos marcenários sem escrupúlos e sem moral ou ética.
Na década de 40 do século passado, o exemplo de Ser Humano que retrato num post anterior debateu-se por um lado com as ordens que tinha, e pelo outro com as ordens que lhe ditava algo superior: a sua Moral. Felizmente e pelo bem da Humanidade, Aristides Sousa Mendes optou por obedecer às ordens que lhe ditavam a sua Moral e salvar milhares e milhares de pessoas das torturas e atrocidades do Holocausto Nazi.
Passados praticamente 60 anos, o Mundo está exactamente na mesma. Não com um grande conflito a nível mundial, mas com pequenos focos que podem explodir em conflitos de escala regionais, ou então em conflitos que privam os meros cidadãos como eu e muitos de vocês que lêem este blog de dois dos mais fundamentais direitos de qualquer cidadão, ou seja, a Liberdade e a Segurança. Podemos verificar isso isso com os atentados terroristas de Nova York e Washington em 2001, Madrid no início de 2004, e agora mais recentemente neste preciso mês de Setembro na Ossétia, uma região da Rússia, onde, os maníacos do momento resolveram entrar numa escola e tomar cidadãos como reféns. Claro está que com maníacos o número de "baixas" ( que lindo nome para se dar a uma VIDA HUMANA ) era à partida, de esperar que fosse grande.
Sem dúvida pergunto, será que existem Grandes Esperanças para este Mundo Louco ? Ou estamos apenas cá para assistir à próxima barbaridade que, pelo passar das inúmeras já sucedidas se espera igualmente terrível ou ainda mais ( se é que isso pode existir ) ?
O meu pesar vai para aqueles que sobrevivem à tragédia, e ficam neste Mundo a pensar na mais absurda das questões.... " Porquê ? "


Cada vez mais vivemos num mundo ridículo... Gostava que me explicassem como é que invadir uma escola e matar crianças, e simples civis que fazem a sua vida diária tão normalmente, é uma "boa" forma de reinvindicar independências baseadas em fundamentalismos ridículos !! Expliquem-me, mas expliquem-me como se eu tivesse 5 anos... A idade de muitos daqueles que morreram nesta última parvoíce da ignorante mente humana sedenta apenas e só de mortes e de conflitos.


Numa era em que imperava o obscurantismo, um Homem teve a coragem de dizer Não e desafiar uma ordem. Graças a ele, milhares foram as pessoas que sobreviveram aos horrores do Holocausto Nazi. Tive o imenso prazer de conhecer cedo a sua "obra" e a ele devo o meu interesse pela carreira que escolhi, tornando o meu futuro trabalho num pequeno tributo à sua GRANDE memória.
Foi por desafiar e rumar contra a maré que hoje o seu nome é conhecido. Foi por ter uma alma GRANDE que lhe devemos tanto.... Aristides Sousa Mendes.

Monday, September 06, 2004



Doesn't anyone notice that I AM DYING ???

( Let it be showned for the record that this ISN'T a pro-Bush sentence )

Saturday, September 04, 2004


Finalmente já o tenho. Um dos muito BONS filmes que vi até hoje. Não me desiludiu em nada. Apenas maravilhou. Hoje estive lá, e já tenho a minha cópia. A quem não o viu, recomendo. A quem já teve esse prazer cinematográfico.... REVEJA. Tudo neste filme está de facto excelente, mas o desempenho de Caviezel, encontra-se nos melhores que vi, juntamente com a fabulosa banda sonora... Enfim, tudo de facto no filme está bom. E que tal umas largas nomeações aos Oscars ? E revertidas claro em prémios !!! Ou vamos deixar este filme " de fora " apenas porque foi "polémico " ? Posted by Hello

Thursday, September 02, 2004

Depois do Carlinhos Spaghetti me ter enviado uma música cantada pelo Carlos do Carmo, lembrei-me de um pensamento que este havia dito numa entrevista na tv:

" Como é bom ser pequenino, ter pai, mãe e avós... Alguém que goste de nós "

Sim, é de facto muito bom saber que temos alguém que goste de nós... Pelo menos nessa altura, na idade da infância tudo é tão simples... Tudo á azul.... Nada que nos preocupe ou que nos aborreça...

Wednesday, September 01, 2004

A hipócrisia e o falso moralismo estendem-se pelo nosso país a olhos vistos. Nos últimos anos, tem sido impressionante a quantidade de disparates que correm pelas bocas das pessoazinhas. Desde " tipas " que estão no governo e que dizem que " o catolicismo é a religião oficial de Portugal " até aos " tipos " que também estão no governo ( torna-se vicioso isto ) que afirmam ter sido " a Nossa Sra. de Fátima a desviar o crude do Prestige de Portugal ", sim o que é uma proeza não nos poluir a nós e ir poluir França ( o meu coração relaxa ), as bestialidades ( leia-se de besta e não de bestial como sendo fantástico ) surgem a ritmos alucinantes.
A mais recente é a sempre presente polémica do aborto, ou interrupção voluntária da gravidez, onde estamos ainda numa Nação ( ? ) que prefere julgar e punir os seus por medidas que, até o próprio Parlamento Europeu já recomendou tornarem-se legais. " Sim.... " - gritam eles - " queimem-nas, porque elas mataram o Zézinho ".... ora.... POUPEM-ME.... Vamos lá a ser honestos... Qual é a mulher neste santo Mundo, que vai abortar sem ter um devido e válido motivo ? Será que há algum atrasado que julga que uma mulher vai engravidar para ter o " prazer " ( ? ) de ir abortar ? Ou será que quem o faz, é apenas por ser o último recurso, e o único que tem disponível, mesmo correndo o risco de ser julgada e punida pela sociedade ? Aliás... sociedade não, antes pelos governantes de extrema-direita que além de manterem um governo de um país refém, conseguem ao mesmo tempo manter toda uma população bem como os seus direitos reféns de interesses falsos moralistas que só faziam sentido ( e será que faziam ? ) no tempo da " outra senhora " ?
A questão fundamental aqui, é a meu ver, o direito à escolha. É isso que eu comento sempre nas muito produtivas " conversas de café " que tenho. É esse um dos direitos fundamentais que, neste momento, está em falta para com aquelas que se debatem com este enorme problema. Uma interrupção de gravidez. Um aborto.
É o direito à escolha que deve ser facultado às pessoas. O direito de poderem optar por uma decisão, por um momento que, na sua vida é extremamente importante e decisivo.
Claro que além deste direito à escolha, seria deveras útil se o nosso governo e quem nele está a liderar, implementasse medidas de aconselhamento e planeamento familiar que pudessem de certa forma evitar que existissem um elevado números de interrupções de gravidez. No entanto, é sempre, SEMPRE, importante poder usufruir de um direito de escolha. É esse, segundo me parece, aquele factor que nos diferencia dos animais irracionais... E passando o exemplo religioso... não foi o livre arbítrio um dos " dons " que Deus nos deu para podermos decidir entre dois caminhos distintos ? Então como é que alguém nos pode retirar o livre arbítrio ? Não é isso uma medida contra uma vontade de Deus ?
Tendo na minha família um conjunto de mulheres que passaram por estes enormes " duelos ", e apesar d enão ter presenciado nunca os efeitos menos agradáveis a que infelizmente estiveram sujeitas, sei pelo que me contaram que sofreram, e sofreram bastante tanto com a dor psicológica que tiveram por ter tomado esta atitude, bem como a dor física provocado pelo péssimo acompanhamento que tiveram por parte de quem as tratou. Tive uma avó que teve toda uma vida de problemas de saúde, por ter sido constantemente negligenciada, e ter passado anos e anos fechada em casa devido aos problemas de saúde que NUNCA a largaram durante todo o resto da sua vida. Guardo na minha memória as suas lágrimas, os seus desabafos e as suas histórias que em muito marcaram a posição e a opinião que tenho hoje. Não só neste assunto como em muitos outros, e espero que a mentalidade deste povo, que ainda digo meu, mude rapidamente, não para todos concordarem com um mesmo caminho, mas pelo menos para que exista a hipótese de puderem optar por dois ou mais.
Escusado será dizer que apoio a iniciativa da organização Women on Waves, mais que não seja pelo despertar mediático que trazem ao nosso país, sobre este assunto que em pleno século XXI é ainda um assunto fechado. Um assunto tabu que muitos querem ver pelas costas. Pela coragem de enfrentarem a adversidade, tiro-lhes o meu " chapéu ".

Eu assinei:

Dear Paulo Peralta,

This email message is sent to you from PetitionOnline.com to confirm your signature as "Paulo Peralta" on the online petition: "Protesto contra a proibição da entrada em Portugal do barco
da Women on Waves"hosted on the web by our free online petition service, at:

http://www.PetitionOnline.com/19592c11/

Your signature on the petition is already complete, and there is no needto reply to this message. Your signature number for this petition is 1056.

Monday, August 30, 2004


Apenas mais uma curiosidade quanto à Grécia, e ao que diz respeito aos supostos "pequenos países"... É curioso reparar como com boa vontade e empenho das pessoas se realizam grandes eventos... Pena é que sejam sempre enormemente criticados até estarem bem sucedidos no FINAL !!!
Será que há sempre uma vã necessidade de criticar e rebaixar o bom trabalho dos outros ?

Sunday, August 29, 2004

E lá chegam ao fim os Jogos Olímpicos de Atenas 2004. A primeira vez em 108 anos que os Olímpicos voltam à sua terra natal. Depois dos habituais medos que rodeiam os grandes eventos e acontecimentos mundiais, tudo correu bem nestes Olímpicos, e o medo do terrorismo nunca foi focado.
A nossa melhor prestação em Olímpicos, tendo conseguido 3 medalhas para os atletas Sérgio Paulinho, Francis Obikwelu e Rui Silva, e 10 diplomas de mérito, fizeram ao que parece elevar o espírito português mais um pouco.
Adeus Atenas 2004, Olá Pequim 2008
Adeus ? Ainda não.... tenham calma... A festa, espero, ainda não terminou !!! Iniciam-se brevemente os Jogos Paralímpicos em Atenas. Aqueles em que os atletas além de serem indivíduos com algum tipo de deficiência, e supostamente mais incapazes e com menos "qualidades", são ao mesmo tempo aqueles que mais brilham o espírito português, e que, ao mesmo tempo, passam mais despercebidos e completamente ignorados pelo nosso olhar. Tendo em conta que na última edição no ano 2000 em Sydney fomos dos países mais medalhados, à frente de muitas das grandes nações mundiais, seria se calhar de prestar mais atenção à prestação destes nossos compatriotas que habitualmente brindam o nosso país com glória. Pena é que seja glória esquecida ou ignorada.
Pena é também que estes atletas tenham de pôr anúncios na imprensa a pedir dinheiro para poderem viajar e brincar-nos com os seus feitos, e em pouco ou nada serem apoiados por Portugal, que por acaso, só por acaso, é o país que representam e o que vê a sua bandeira subir no mastro e ouve tocar o seu hino vezes a fim. Pena é que alguns dos cidadãos deste país só o sejam depois de serem reconhecidos pelos outros e no estrangeiro.
Força à delegação portuguesa nos Jogos Paralímpicos de Atenas 2004, e que tragam muitas medalhas, acima de tudo para a SUA glória e consagração.

Thursday, August 26, 2004


Para a minha primeira imagem no blog não podia escolher nada mais do que uma das minhas actrizes preferidas. Além da sua beleza, quem a viu no filme Malena de Giuseppe Tornatore perceberá MUITO BEM o que quero dizer... Cá vos deixo.... Monica Bellucci

Wednesday, August 25, 2004

Vamos lá a ver se é desta que vou ser finalmente criticado...
A palavra eutanasia vem do grego, Eu = Boa e Tanathos = morte, então: Eutanasia = "Boa morte". Não confundir isto portanto, com significados mais duvidosos a que esta palavra foi associada, tais como as supostas eutanásias perpetradas durante o período conturbado a que a Europa assitiu durante a década de 40, ou com a ridícula intenção de muitos de associar a eutanásia àqueles que por qualquer motivo querem cometer suicídio e se aproveitam para reclamar o direito à eutanásia.
Do que venho aqui falar, é apenas e só, o direito a que um cidadão tem de reclamar para si a " boa morte " assistida, acompanhada e digna.
A questão aqui que minimamente preocupa é apenas uma. Qual o motivo que leva a grande maioria das classes dirigentes, e aquelas que podem de facto determinar a legalidade da eutanásia, estarem rigorasamente contra a legalização deste acto ? Não falamos nós na dignidade de um ser humano ? Alguém que quer ter tanta dignidade na morte como aquela que lhe foi conferida enquanto vivo ? E esse direito, o da dignidade, é extremamente importante, pois confere respeito próprio e exige-o aos demais para com a pessoa. E não é isso que todos nós em vida desejamos ? Obviamente que é !
Com que cara pode alguém olhar para um doente terminal, sem hipótese de recuperação, de lhe dizer " não o vou ajudar a morrer " ? Sim, porque não nos iludamos, ajudar a morrer, não matar, é tão importante como ajudar alguém a viver. Ou será que é também indiferente ajudar um indivíduo a viver ? Ajudar a trazer ao mundo, a ensinar os primeiros passos... As primeiras palavras... O primeiro dia de escola... A universidade... O primeiro emprego.... O Casamento... O primeiro filho... A reforma.... E a morte.... Não serão todas estas etapas da vida humana, e mais ainda pelo meio, todas de igual importância ? Não será direito ter assitência em todas elas ? Claro que é. Porque se a primeira é difícil, esse grau de dificuldade apenas aumenta com o passar do tempo, e para quem se sente fraca, debilitado e sem apoio, esse auxílio ou assistência são sempre um bem, um conforto...
Ou será preferível ter uma pessoa numa cama de hospital, a morrer aos poucos, a assistir à sua própria degradação física e psicológica até tudo parar ? E mesmo parando o cérebro, será ainda de manter um indivíduo vivo apenas com o coração a bater ? Sabendo à partida que nunca mais nada irá recuperar essa mesma pessoa ? Pois para mim não !
Já assisti, das poucas e raras vezes que, felizmente, entro num hospital, a algumas pessoas nessas condições degradantes, apenas e só por um grupo de médicos não concorda com a morte assistida. Com o ajudar a uma outra passagem de forma digna. Pessoas a quem já nem os seus familiares mais directos visitavam no hospital porque ou já não se interessavam, não suportavam ou simplesmente percebiam que aquele ser que ali estava já não era aquele que durante anos sem fim tinham visto como uma pessoa VIVA.
Defendi e defendo a legalização da eutanásia, como forma de ajudar um cidadão que morre de forma indigna e dolorosa a poder atenuar o seu sofrimento, bem como o sofrimento daqueles que o rodeiam. De mais forma alguma. Nunca como uma forma de suicídio. Apenas como uma forma atenuante para aqueles que sofrem sem hipótese de recuperação.
Defendo a sua legalização porque é aquilo que para mim desejo, caso me veja numa situação sem retorno e sem recuperação. A morte assistida. E aplaudo aqueles que tiveram coragem de a tornar uma medida legal, como por exemplo a Holanda, tendo pena que o meu país não me reconheça tal direito, se no dia de amanhã me acontecer algo que me incapacite, e que além de provocar o meu próprio sofrimento, o provoque também àqueles que me rodeiam.
Um abraço de força e coragem àqueles que infelizmente se têm de debater com estes problemas e situações.

Sunday, August 22, 2004

O sonho não é impossível. O sonho são os nossos desejos mais secretos. O sonho é o que nós desejamos, o que nós ansiamos, o que nós queremos e não confessamos.
É impossível deixar de sonhar, se a construção do nosso futuro depende daquilo que sonhamos.
O que seria se Da Vinci fosse impedido de sonhar ? Ou a Mandela ? Ou a tantos outros como eles que lutaram por um sonho ?
Será tão impossível deixar alguém sonhar ? Ou será que quem tenta impedir, mais não faz que tentar travar o outro de obter e alcançar, algo que sempre quis e nunca teve coragem de o reclamar ?
O problema maior será sonhar e desejar algo de novo, diferente e possivelmente melhor, ou será que o pior é não desejar nada e viver como mais um " amorfo " numa sociedade que já nos tráz tão pouco de novo e de refrescante que nos dê alento durante mais um dia ? O problema é não sonhar, não desejar, não querer, não ambicionar, não exigir, não revoltar... O problema, é quem vive num permanente não, e que com ele se conforma e encosta sem desejar, sem reclamar pela mudança, sem gritar pelo que se quer.
O problema é " morrer " antes do tempo, apenas como forma de não se deixar incomodar pelo que de novo se passa à volta.

Saturday, August 21, 2004

O que é que um indivíduo pode responder quando alguém lhe diz " Sê a minha voz " ? Além do facto de ficar estupefacto com um pedido destes, a reacção inicial seria não saber dizer não. Não que fosse esse o objectivo pretendido, mas, seria impossível, de facto, dizê-lo. O que leva alguém a pedi-lo ? O sentir-se preso ? O sentir-se sem representação ? O sentir-se amordaçado ? O que levou de facto essa pessoa a sentir a necessidade de o pedir a outra pessoa ? Que capacidades terá a outra pessoa que a tornem a " escolhida " para desempenhar o papel de representante de alguém ? Haverá a capacidade de o fazer e de o fazer correctamente ? É que de facto é complicado como é que alguém pode assumir a responsabilidade de ser o representante de qualquer outra pessoa, ao ponto de ser a sua " voz ". Posso dizer que a mim já mo pediram. Garanto e confesso que me senti sem dúvida aparvalhado, não há palavra melhor, e que ainda hoje não sei se desempenho bem esse cargo, mas faço o meu melhor, e faço por me aperfeiçoar.

Esta pequena apresentação, apenas como forma de vos dar um pouco mais de explicação sobre o motivo que me levou a criar um blog, como me foi perguntado pelo Carlo. Pediram-me para ser uma " voz ". A voz de alguém que não pode falar. A voz de alguém que foi proibída de o fazer. A voz de alguém que está impossibilitado de o fazer. Ou ser simplesmente uma voz. Uma voz independente, uma voz livre e sem necessidade de responder a alguém como forma de se justificar. Ser apenas e só uma VOZ. Comprometi-me com isso, e espero cumpri-lo sempre e em todos os lugares. Tento ser imparcial, dando apenas a minha opinião sobre um assunto, e não a opinião que se espera ouvir. Simplesmente a minha. Não espero concordâncias, não espero simpatias onde elas não são sentidas. Espero sim aquilo que se pensa e aquilo que se sente. Espero a honestidade. A sinceridade. A frontalidade. Espero aquilo que nos habituam aos poucos a não ter. Espero aquilo que muitos já perderam. Espero aquilo que vos vai pela alma. Espero tudo o que seja dito de dentro; tanto do coração como do cérebro. Espero a racionalidade tanto como a irracionalidade, mas espero acima de tudo que seja sincera. Tanto uma, como a outra. Não que seja programada.

Agradeço a TODOS as palavras que me têm dirigido, as mais positivas e as mais negativas. As mais livres e as mais tímidas. Aquelas que não dizem, mas especialmente aquelas palavras que dizem, e dessas as que dizem sem pensar. As que dizem espontâneamente.
A todos, simplesmente agradeço.

Thursday, August 19, 2004

Há precisamente um ano atrás eu escrevia este texto pela ocasião do brutal assassinato do diplomata Sérgio Vieira de Melo no Iraque, aquando da sua missão a cargo das Nações Unidas neste país. Um ano passado e vivendo num Mundo onde tudo se transforma para pior creio que o texto continua actual. E fica também aqui presente, a homenagem a este grande diplomata que perdeu a sua vida por acreditar e lutar na defesa e no respeito pelos Direitos Humanos.

19 de Agosto de 2003

Ao longo do nosso desenvolvimento como indivíduos, muitos são os exemplos que queremos seguir, seja a nível pessoal, como a nível profissional. Admiramos o que fazem, como fazem e quando o fazem, e esperamos que um dia seja esse também o nosso próprio modo de actuar ou de aplicar essa forma de encarar o Mundo à nossa própria, para também nós um dia deixarmos a nossa própria marca pessoal na área em que actuamos.
Entre outros, para mim Sérgio Vieira de Melo foi um desses exemplos. Tanto a nível pessoal, área que sempre soube manter afastada dos ecrãs, como especialmente a nível profissional, área que teve o privilégio de o ter como membro.
Ser capaz de estar colocado nas mais diversas áreas do Mundo sempre em situações críticas, e em que se vive permanentemente num estado de ansiedade, e mesmo assim manter uma postura profissional invejável é de facto um feito notável.
Não posso dizer que desde sempre acompanho o caminho deste diplomata, pois a primeira vez que tomei o seu conhecimento foi através do excelente trabalho a mando das Nações Unidas nos territórios da Ex-Jugoslávia, seguindo depois para um caso que ficou mais na memória colectiva portuguesa, como foi o caso de Timor, onde alcançou um magnífico desempenho como gestor de transição do território das mãos das Nações Unidas, para a independência daquele território.
Agora como Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, e responsável desta organização para o Iraque, chegou infelizmente a sua vida a um fim. Mais uma vez fica o Mundo, e todo o trabalho e empenho de um indivíduo que lutou pela liberdade e igualdade dos povos abalados pela barbárie daqueles que no reverso se empenham em ter e em viver ódio por aqueles que querem essa mesma liberdade.
Para vocês que lêem este texto, não sei se isto se baseou apenas em mais uma notícia sem importância, mais uma daquelas que enche um noticiário, já tão cheio de barbáries, que esta foi “apenas” mais uma a passar na televisão, numa sociedade onde já se passa tanto e de tão pouca qualidade que nem merece a nossa atenção reter mais uma notícia. Mas realmente para mim este é aquele tipo de informação que me perturba profundamente.
Perturba-me em primeiro lugar por ainda ser uma área, na qual eu acredito já se ter feito muito e ainda se poder fazer muito mais. A área dos Direitos Humanos, Minorias e Refugiados, que a si está implícita, é uma área que nunca poderá fechar, infelizmente, portas. É uma área em que todos nós temos de estar de olhos abertos e saber apontar o dedo por cada vez que vemos ( e vemos ) que esses mesmo Direitos de um indivíduo, comunidade, região ou país são ou estão a ser violados. Incomoda-me por ver que aqueles que estão encarregues de promover os interesses e Direitos daqueles que são perseguidos ou incomodados na sua livre expressão, têm sempre o seu caminho barrado por alguém. E esse alguém nunca usa as mesmas tácticas leais e legais de discordar daquilo que se faz. Em vez de dialogar, discute-se. Em vez de confrontar ideias, mata-se.
Isto sim, a mim incomoda-me, perturba-me e deixa o meu Mundo abalado. Espero sinceramente que deixe também o vosso, porque se for eu o único a pensar que isto é perturbante, então sim, ponho realmente em causa se vale a pena continuar a pensar que eu talvez não possa contribuir de alguma forma para o respeito daqueles que, sob os regimes totalitários e ditatoriais, não são respeitados, e são deslocados e desprovidos do respeito pelos seus direitos, sejam eles cristãos, islâmicos ou hebraicos. Europeus, Africanos ou Americanos.
Por isto, que a memória de Sérgio Vieira de Melo, e outros como ele, diplomatas ou não, viva de alguma forma nas memórias de vocês que lêem isto, e que como eu, ainda acreditam que é possível poder lutar pela defesa e respeito dos Direitos Humanos. Lutar pela Paz. Pelo pouco que valha o meu pedido, peço-vos que acreditem nisso, em memória dos que levantam a voz em defesa de outros, sem olhar para a cor da pele, para uma opção política, religiosa ou sexual, mas que olham sim para indivíduos.
É esse o legado e o contributo que Sérgio Vieira de Melo me deixou. Agradeço a todos a atenção para este meu desabafo.